10/01/2019 :: DÉFICIT HABITACIONAL

Mercado imobiliário ganha padrão de ética internacional

Publicação é resultado de trabalho de mais de 100 entidades, dentre elas o Secovi-SP, em cujo site o documento está disponível para download em português

 


Com o objetivo de ajudar a afirmar a ética como vital para os negócios, bem como aprimorar a atuação profissional dos integrantes do setor imobiliário, a Coalizão Internacional de Padrões Éticos (IESC) publicou um conjunto de padrões.

Elaborado por mais de 100 organizações representativas da área, dentre elas o Secovi-SP, o documento - que também se aplica às áreas de construção e infraestrutura - está disponível para download nos sites das entidades, inclusive em português.

"Esse conjunto de princípios traz maior clareza e transparência ao mercado imobiliário, perante seus clientes e o público em geral. Ajuda a mitigar riscos, facilita e proporciona maior segurança aos negócios, sejam eles feitos no Brasil ou no exterior", afirma Flavio Amary, presidente do Secovi-SP.

Em 2015, os ativos imobiliários no mundo totalizaram mais de US$ 217 trilhões, montante superior ao PIB global estimado em US$ 80 trilhões, naquele ano.

Tais dados evidenciam ser fundamental que o setor reconheça o papel que os valores éticos desempenho na eficiência do setor, em todos os seus segmentos, e opere segundo suas premissas. Reforça, ainda, a necessidade de as entidades representativas da área continuarem a trabalhar na idealização de padrões que aprimorem continuamente as atividades.

Profissões das áreas de contabilidade, direito, auditoria e medicina já têm padrões globais de ética estabelecidos há muito tempo e os curadores do IES sentiram que era hora de o mercado imobiliário e profissões afins, que estão entre as maiores indústrias do mundo, produzir um documento nesses moldes.

De acordo com Peter Bolton King, presidente da IESC, valores éticos agem como uma âncora para comportamentos adequados e pesquisas apontam que a previsão é dobrar, ao longo da próxima década, o investimento em mercados imobiliários por fundos de pensão e fundos de riqueza soberana. "Portanto, a publicação ajuda a sustentar os códigos de ética existentes e cria uma oportunidade para fortalecê-los", declara King.

DÉFICIT HABITACIONAL

Déficit habitacional é recorde no País

07/01/2019, 07h36

A redução do crédito para financiamento de imóveis, o desemprego em alta a partir dos anos de crise e a queda na renda das famílias tornaram o sonho da casa própria ainda mais distante para milhares de brasileiros. O déficit habitacional do País, que já era elevado, aumentou em mais de 220 mil imóveis entre 2015 e 2017, batendo recorde.

Um levantamento feito pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV) aponta que o déficit de moradias cresceu 7% em apenas dez anos, de 2007 a 2017, tendo atingido 7,78 milhões de unidades habitacionais em 2017.

“Chegamos ao recorde da série histórica de déficit habitacional. Hoje, ele ocorre, sobretudo, pela inadequação da moradia – famílias que dividem a mesma casa, moram em cortiços, favelas – e pelo peso excessivo que o aluguel passou a ter no orçamento das famílias no últimos anos”, afirma Robson Gonçalves, da FGV.

Ele explica que a maior parte do déficit é formada por famílias que ganham até três salários mínimos por mês, mas a demanda por moradias também atinge consumidores de rendas intermediárias, que viram o mercado de trabalho ficar instável nos últimos anos e o crédito imobiliário mais escasso.

“As famílias querem ter a própria casa, mas as incertezas dos últimos anos tornaram essa vontade mais distante para a maior parte”, afirma Gonçalves. “O brasileiro que não perdeu o seu emprego ficou com medo de ficar desempregado e adiou a compra da casa; e muitos dos que ficaram sem trabalho tiveram de interromper um financiamento no meio.”

No ano passado, mesmo com o início da recuperação da economia, o desemprego ainda alto e a falta de confiança do consumidor fizeram a concessão de crédito andar de lado. Em 12 meses até setembro, o crédito imobiliário concedido era a metade dos recursos emprestados às pessoas físicas em 2014.

Novo ciclo

Apesar dos resultados ainda tímidos, a expectativa das construtoras e incorporadoras é de que, passadas as eleições, o mercado de trabalho mantenha uma trajetória de recuperação este ano e a busca por imóveis volte a crescer. O levantamento FGV/Abrainc também aponta que, para atender à demanda por moradia no País nos próximos dez anos, seria necessário construir 1,2 milhão de imóveis por ano.

“É uma oportunidade para o mercado, são poucos os países do mundo que têm uma demanda tão expressiva”, diz Alexandre Frankel, presidente da Vitacon. “Vemos um novo ciclo se formando no setor e, se tudo correr bem na economia, os próximos dois anos podem ser de retorno a um momento melhor do mercado imobiliário.”

“Temos de olhar com otimismo para o mercado, que é saudável e tem uma forte demanda, não só dos consumidores de baixa renda. A demanda é grande entre os que dependem de financiamento com recursos da poupança também”, avalia o presidente da MRV, Eduardo Fischer. Ele lembra que os juros básicos estão em um patamar baixo, a 6,5% ao ano, o que alivia na hora de contratar um financiamento imobiliário.

A empresa também espera lançar mais empreendimentos este ano do que em 2018, e quer aproveitar o aquecimento da demanda para voltar a vender imóveis de padrão mais alto, de olho nas famílias de classe média que adiaram a compra da casa própria durante a recessão.

Já o superintendente da Trisul, Lucas Araújo, estima que a demanda habitacional só na cidade de São Paulo aumente em 25 mil moradias por ano. Ele diz que as dificuldades do setor para zerar esse déficit passam pela dificuldade de se tomar crédito e a demora na aprovação de projetos nas prefeituras.

“Estamos falando de um mercado em que a demanda por moradias é crescente. Mesmo durante a crise, as construtoras focadas no público de baixa renda tiveram um bom desempenho e o consumidor que não pôde financiar um imóvel não desistiu de comprar sua casa, só adiou.”

Gonçalves, da FGV, alerta, porém, que o novo governo ainda não foi claro se pretende dar um novo uso para os recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), importantes para financiar o setor imobiliário, e sobre o futuro do programa Minha Casa, Minha Vida. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

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